A versão apresentada pela defesa da mãe de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, ganhou um novo contraponto com a divulgação de um relatório do Conselho Tutelar encaminhado à Justiça. O documento aponta que duas irmãs do menino relataram ter sofrido agressões praticadas também pela mãe, além de descrever sinais de violência observados nas demais crianças da família.
O relatório integra o processo que investiga a morte de Oliver, ocorrida na última quinta-feira (9), após dias de internação em estado gravíssimo no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. A criança foi espancada pelo pai, o missionário norte-americano D'Andre Grayson, que confessou à Polícia Civil ter agredido o filho porque ele não respondeu ao cumprimento de "bom dia".
Segundo o documento, as irmãs relataram que também eram agredidas pela mãe. Durante o atendimento realizado pela rede de proteção, profissionais identificaram lesões em outras crianças da família, reforçando a suspeita de que a violência não se restringia apenas a Oliver. O material foi encaminhado ao Judiciário e passou a integrar o conjunto de provas analisadas pela investigação.
A revelação ocorre um dia após os advogados da mãe afirmarem que ela também era vítima de violência física, psicológica, espiritual e de isolamento imposto pelo marido durante cerca de dez anos. A defesa sustenta que a mulher vivia sob domínio absoluto do companheiro, era impedida de procurar atendimento médico e de manter contato com familiares, além de ter colaborado com a Polícia Civil desde o início das investigações.
A Polícia Civil, no entanto, mantém a prisão preventiva da mãe por entender que há indícios de omissão e possível participação nos maus-tratos sofridos pelos filhos. As informações do Conselho Tutelar deverão ser analisadas em conjunto com depoimentos, laudos periciais e demais provas reunidas no inquérito.
Além da apuração sobre a morte de Oliver, as autoridades investigam denúncias de violência contra os outros quatro filhos do casal. A família já havia sido alvo de atendimentos e registros em outros estados antes de se estabelecer em Viamão, onde morava havia cerca de seis meses.
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