A atmosfera passou a responder ao fenômeno El Niño a partir deste mês de julho, provocando uma intensa mudança nos padrões climáticos da América do Sul. Segundo análise da MetSul Meteorologia, a alteração no padrão atmosférico deve se aprofundar nos próximos meses, trazendo uma sequência de eventos extremos que incluem frio rigoroso, ondas de calor atípicas, chuvas volumosas e tempestades severas.
A transição ocorreu após um período de outono e início de inverno marcados por frio persistente e frequentes massas de ar polar no Sul do país. No entanto, entre a segunda e a terceira semana de julho, a consolidação do El Niño nas latitudes médias resultou em um contraste severo de temperaturas. Cidades da Argentina e do Sul do Brasil registraram marcas históricas de calor para o mês de julho, com Porto Alegre atingindo 33,8ºC, a maior máxima para o mês desde 1910.
Logo após a onda de calor, a instabilidade avançou com tempestades e acumulados expressivos de chuva, afetando mais de 200 municípios gaúchos e provocando o transbordamento de grandes rios. O impacto do fenômeno também se estendeu ao Chile, onde tempestades atípicas atingiram inclusive o Deserto do Atacama, acumulando volumes de chuva equivalentes a quatro anos em apenas quatro dias e deixando rastros de destruição e dezenas de milhares de afetados.
A previsão indica que essa nova dinâmica de instabilidade deve se manter ao longo do segundo semestre de 2026 e impactar até o início de 2027. Para a Região Sul, a tendência para o trimestre entre agosto e outubro é de precipitação acima da média histórica, elevando o risco de novas inundações e enchentes de grande porte durante a primavera.
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